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Teoricamente Teórico – Composição

Autor Felipe Irigon Galvao | Publicado em August 23, 2011 Veja os Comentários

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Dae pessoal, tudo bom?
Para quem não sabe, sou formado em Design Visual e , para isso, tive que realizar o trabalho de conclusão de curso. Como vejo pouco conteúdo teórico na internet, resolvi começar a postar partes do meu estudo, para facilitar o acesso á conteúdos teóricos relevantes dentro do computação Gráfica.

COMPOSIÇÃO

Estudo de composição por Felipe Galvão

Composição é a combinação ordenada dos elementos, é o resultado da melhor organização subjetiva dos elementos e suas relações. A composição possibilita a integração dos elementos distribuídos em um projeto gráfico, elementos estes, que criam uma mensagem que chama a atenção do público interessado (RIBEIRO, 2003).

Proporção Áurea

Para entendermos a composição precisamos entender a proporção áurea e no que ela se fundamenta.

A proporção áurea se fundamenta na divisão de uma forma seguindo a proporção de 3 à 5, ou também de 2 a 3. Essas proporções são as mais usadas, mas não são as únicas que se encaixam nas ditas proporções. A Série de Fibonacci* foi construída de maneira que cada número seja a soma dos dois números precedentes,Planejamento Visual Gráfico – Milton Ribeiro estando sempre em relação proporcional com o número anterior e seguinte. Esta relação estabelece o número de ouro (RIBEIRO, 2003).

O número de ouro nos da a localização exata de onde está localizada a seção áurea em uma forma. Se pegarmos uma reta, por exemplo, teremos dois pontos, ponto A e o ponto B, para acharmos o ponto de ouro devemos, dividir o ponto A e B ao meio, gerando o ponto C. Logo, pegaremos o ponto B como centro e transporta-se C para a perpendicular baixada sobre B, obtendo-se E. Com centro em E, e raio em EB, tem-se o ponto D; com o centro em A e raio em AD, baixa-se o ponto D sobre a reta AB, obtendo-se F. F é o ponto de ouro da reta AB, enquanto AF é a seção áurea desta reta (Figura 29).

*Série de Fibonacci – 0:1: 1:2: 3:5: 8:13: 21:34: 55:89: 144:233: 377…

Retângulo Áureo

O retângulo áureo é a figura onde a composição artística alcança seu rendimento. Para obter o retângulo áureo precisa-se conhecer a regra de ouro, que é utilizada para regular a proporção de uma forma envolvente e seus conteúdos. A regra de ouro tem como

módulo a proporção matemática π, de 1,0618 (RIBEIRO, 2003).

Para obter o retângulo áureo devemos ter um quadrado, onde as relações de seus lados é igual a 1. Tendo-se um lado igual a 1, toma-se para o outro lado

 um comprimento de 0,618, referente a regra de ouro, obtendo um novo retângulo (retângulo dourado), que faz parte do quadrado anterior. A obtenção deste retângulo ocorre pelo deslocamento da diagonal de um retângulo menor, sobre o prolongamento de um dos lados do quadrado, como mostra a figura 9, no trajeto em vermelho (Figura 30).

Retângulo Dinâmico

Os retângulos diferenciam-se pela razão entre seus lados, um retângulo dinâmico tem como esta razão um número euclidiano incomensurável, que é obtido a partir do deslocamento da diagonal do quadrado sobre um dos lados, obtendo-se um retângulo de raiz de 2. Ao se proceder da mesma maneira, tem-se um retângulo de raiz de 3, 4,5 … (RIBEIRO, 2003).

Planejamento visual – Milton Ribeiro

A Composição

Em uma composição, as proporções devem estar em relação proporcional com o espaço continente. Cada parte deve ser considerada uma parte do elemento total. A relação de proporção mais fácil é a de duas metades, o que acaba gerando o “defeito” da igualdade. Chamamos “igualdade” de defeito, pois na natureza não se encontram duas coisas idênticas, o que acaba criando um efeito monótono e sem graça. Ao contrário desta, uma desigualdade muito grande nas proporções, mesmo sendo um pouco mais atraente que a proporção anterior, não gera o mesmo efeito de uma proporção de três para cinco ou dois para três (RIBEIRO, 2003).

Estruturas

Composições com estruturas calculadas nos esquemas dinâmicos, usada na forma retangular simples. Para se entender o caráter dinâmico deve-se decompor o retângulo harmonicamente. Essa decomposição ocorre por meio da subdivisão da superfície em formas retangulares. Essa subdivisão ocorre com o uso de uma diagonal e uma perpendicular a esta diagonal, baixada de um dos vértices, chegando a forma com um traçado de paralelas pelos pontos de intersecção obtidos. A proporção é garantida, na medida em que, se feito a analise dos pontos de intersecção, vemos a seção áurea presente nos lados do retângulo, que está apto a receber qualquer informação garantindo a proporção, ritmo e equilíbrio da forma (RIBEIRO, 2003).

Espaços harmoniosos

Planejamento visual – Milton RibeiroEspaços harmoniosos são espaços usados como base para a composição. Eles são a divisão de um retângulo em outras superfícies harmônicas entre si, possibilitando o encaixe de elementos gráficos. Sua composição ocorre de tal maneira (RIBEIRO, 2003).

Deve-se traçar duas diagonais no retângulo, e duas divisões verticais referente a marcação do retângulo. Nos pontos de intersecção entre as diagonais e as divisões verticais traçam-se duas perpendiculares, dividindo o retângulo em nove partes harmônicas. Estas nove partes harmônicas podem prosseguir em sucessiva divisão, determinando os pontos necessários para a colocação dos elementos gráficos (Figura 32).

Ponto de atenção

Pode-se dizer que existe dois centros em um trabalho, o centro geométrico, que se localiza no centro da folha, determinado pelo cruzamento das diagonais; e o centro ótico, que se localiza em cima deste centro geométrico, que é determinado dependendo da relação entre a largura e a altura (RIBEIRO, 2003).

O ponto de atenção, em um retângulo com a composição anterior (ver Espaços harmoniosos), pode ser colocado sobre as linhas em que estão localizados os pontos fortes desta composição, e nunca sobre o centro geométrico.

Regra dos terços

A regra dos terços é um regra clássica que recomenda a divisão do enquadramento em três partes iguais, tanto no sentindo horizontal quanto no vertical, resultando na divisão do enquadramento em nove partes. A regra prega que os pontos de interesse da composição se localizam nas intersecções das divisões, resultando em quatro pontos de maior interesse (CÀMARA, 2005).

Mas pera lá! Pra que que eu vou usar isso? Ninguém usa isso!
Calma rapaz! Também vou postar um estudo de caso para vermos a aplicação disto tudo !

 ESTUDO DE CASO

O filme “300”é uma adaptação dos quadrinhos de Frank Miller, que aborda a Batalha das Termópilas, uma batalha que ocorreu na antiguidade, travada entre o Rei de Esparta Leônidas contra o Rei Xerxes e seu inúmero exercito Persa. O filme foi dirigido e produzido por Zack Snyder e tendo a consultoria do próprio Frank Miller (edição especial – DVD duplo “300”)

Aplicação da Composição

No início do filme podemos notar a preocupação com a composição imposta neste. Esta é uma das primeiras cenas do filme, e podemos notar a presença dascolunas laterais (marcas em amarelo) e do menino postas nos espaços harmoniosos, e da posição do rosto do garoto exatamente no ponto de atenção (circulo azul) da composição.

Em outra cena posta no início do filme, vemos o uso do retângulo áureo, a fim de mostrar duas imagens que se complementam, o garoto com a lança e a sobra do lobo. Podemos ver que o garoto com a lança se localiza dentro do retângulo áureo (retângulo amarelo), quando a sobra, ocupando um espaço maior na composição, fica localizada dentro do quadrado.

Esta cena é um ótimo exemplo para demonstrar a sucessiva divisão entre os quadrados harmônicos, para a colocação de elementos gráficos (pág 59). É visível a preocupação de mostrar duas ações ao mesmo tempo, os barcos afundando e a comemoração dos guerreiros. De todos os barcos, existe um que se destaca, pois se localiza no quadrado espaço harmônico central (cor amarela) e no ponto de atenção (circulo azul). Enquanto nos guerreiros, a posição do líder se encontra em um espaço harmonioso (retângulo branco) resultante da divisão de dois espaços harmônicos (divisões em amarelo).

Dando continuidade a sucessiva divisão dos espaços harmônicos, esta próxima cena demonstra a importância da colocação de elementos que complementam a cena mantendo a preocupação com a composição desta. Na cena existem 2 elementos que se destacam: o guerreiro pulando e o guerreiro segurando um chicote. Além destes dois elementos, existem outros dois elementos que não tem tanta visibilidade – as lanças (no lado do guerreiro que está pulando) e um soldado com algum tipo de arma (no lado do guerreiro com chicote).  Ambos os guerreiros se encontram nos espaços harmônicos, representados pelas marcações em transparência vermelha e verde. Os outros dois elementos, que tem menos visibilidade na cena, também se encontram em espaços harmônicos, gerados a partir da sucessiva divisão dos nove espaços harmônicos iniciais. Tanto as lanças (marcação em transparência rosa) quando o soldado (marcação em transparência amarela), mesmo não tendo muita visibilidade, acabam sendo implementados na cena respeitando a composição desta.

Então você deve estar pensando:  ” Eu não acredito em nada que esse cara falou! Só acreditaria se fosse um Walt Disney!! Ou melhor, só se fosse o Pato Donald!!”
Pois então:

Sobre Felipe Irigon Galvao

Mais um estudante de animação. Formado em design visual pela ESPM / RS e um dos fundadores desse site. Acredita que um dia terá sua profissão valorizada e respeitada no mercado, e está trabalhando para isto acontecer !

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