“Metro” A incrível jornada de uma garota pelo subsolo da cidade.

Autor Ronaldo De Azevedo | Publicado em August 13, 2012 Veja os Comentários

12345 (1 votos: 5.00 de 5)
Loading ... Loading ...

Metro nos apresenta uma garota protagonista que tem o seu ticket de metro roubado por uma raposa, a mesma foge pelos canais de ventilação fazendo com que a garota a persiga pelo maravilhoso mundo do subsolo da cidade.

Tem muita coisa que eu gostei nesse filme que quebra completamente o que estamos acostumados a assistir, Jacob Wyatt, o artista por trás desse filme, fez incríveis decisões como um diretor, vou dizer algumas:

A minha favorita é o framing de determinadas cenas, são cropados e posicionados em cantos da tela, dando uma sensação de progressão ainda maior. Aqui vai o exemplo:

Vemos um pequeno retângulo cropado posicionado no canto superior esquerdo da tela, a garota correndo em direção ao lado direito (com uma luz amarela).

Logo em seguida cortamos para essa cena, aqui o retângulo mudou de posição e de forma, agora a paisagem é completamente diferente e a garota ainda está correndo da esquerda para a direita, o que eu sinto com isso é a sensação de progressão dos personagens, não apenas pelo cenário inteiro que mudou, mas pelo framing que o artista escolheu.

Vemos mais um framing diferente, dessa vez a cena está posicionada no canto inferior esquerdo, ainda dando uma boa leitura da progressão de cenas.

Cortamos então para um plano geral do lugar onde os personagens estão, dando uma sensação de liberdade e grandeza do cenário.

Outra decisão que eu costumo gostar bastante quando vejo em determinados curta metragens é que os personagens não tem rosto, essa decisão faz o artista ter que trabalhar com uma limitação muito grande, porém muito estilosa e pura. Basicamente o personagem não irá ter expressões faciais, então todos os seus sentimentos tem que transparecer com a linguagem corporal. É um desafio e esse filme conseguiu fazer funcionar perfeitamente.

A trilha sonora de Metro é apenas um piano solo  inspirado por Erik Satie, um dos mais famosos pianistas do século 19 e o meu compositor favorito.

Para concluir, uma incrível decisão do artista foi com o final da história, que eu não vou contar para não perder a graça. Criamos altas expectativas e tentamos entender quais as motivações dos personagens durante o curta metragem e é muito gratificante quando nos mostram algo que nunca esperávamos. O diretor nos surpreende apresentando as verdadeiras motivações dos personagens de uma maneira sutil, porém muito especial, fazendo com que Metro seja uma fantástica obra de arte.

 

Sobre Ronaldo De Azevedo

Um animador completamente apaixonado por animação que está em busco do domínio e a liberdade nessa forma de arte para fins de produzir curta metragens animados para entreter, ensinar e emocionar pessoas.

Listando notícias arquivados escritas por Ronaldo De Azevedo