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Entrevista #08 – Léo Santos

Autor Felipe Irigon Galvao | Publicado em April 11, 2012 Veja os Comentários

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Havíamos comentado no grupo sobre uma possível entrevista com o  animador Léo Santos , muitos participantes sugeriram perguntas e muitos outros ficaram na expectativa. Eis que finalmente publicamos a tão comentada entrevista, como os devidos créditos aos colegas que sugeriram as perguntas selecionadas.

Léo Santos é um artista renomado no meio da Computação Gráfica. Brasileiro, morou no Rio de Janeiro onde começou a exercer a arte da animação, mas conseguiu ingressar no Estúdio Blur devido ao seu talento. Atualmente, Léo Santos participa da produção de Brave, novo filme de Pixar.

Nimbo CG (Ronaldo Azevedo):  O que levou você a ser um animador?

Eu sempre desenhei e gostei de artes, desde pequeno. Após o segundo grau, a idéia de fazer uma faculdade relacionada a Cinema começou a ficar mais concreta. Cinema sempre foi uma grande paixão para mim, e cinema de animação era o desdobramento dessa arte que mais me interessava. Após um breve período na faculdade de Cinema na UFF, durante o qual eu comecei a levar o estudo de animação mais a sério, eu acabei indo para a faculdade de Design na UFRJ.

Nimbo CG: Como foi o seu inicio nessa profissão?  

Enquanto ainda estava fazendo faculdade de Design, e após um estágio aqui e outro ali, eu comecei a trabalhar com a equipe de animação e design da Multirio, que na época criava programas educacionais para TV. De lá, e ainda me dividindo entre a faculdade e o trabalho, fui trabalhar na Rede Globo, e depois no Twister Studio, fazendo vários freelas de vez em quando em paralelo. Tinha dias que eu trabalhava 16 horas seguidas!

Nimbo CG (Ronaldo Azevedo): Quais as dificuldades que encontrou e ainda encontra na jornada para se tornar um melhor artista?

A cultura de prazos curtos que eu encontrei no começo atrapalhou um pouco, mas no fim das contas foi bom para eu ter uma visão mais clara da variedade de maneiras que se pode resolver problemas em produção de animação. No fim das contas, ter uma atitude positiva  faz muita diferença, e qualquer dificuldade pode ser vista como uma oportunidade para se aprender algo novo.

Nimbo CG: Uma das questões que mais estimula a curiosidade dos participante é de como aconteceu o seu ingresso no mercado internacional, principalmente nas grandes empresas como Blur e Pixar. Teria como comentar um pouco sobre isso com a gente?

Na época em que eu fui contratado pela Blur eu não estava procurando emprego, mas eu tinha um portfolio visível no meu website. Quando foi publicado um link para o meu site em um portal de CG, acabei tendo uma certa visibilidade, o que levou a um convite do Tim Miller, diretor da Blur, a me chamar para ajudar em um projeto grande que eles estavam para fazer. Eu tinha um perfil adequado a eles (animador, porém  capaz de fazer um pouco de tudo e “safo” no lado técnico da produção) e acabou dando muito certo. Fiquei lá por quase 8 anos, quando finalmente decidi que era a hora certa de me aplicar para a Pixar, que sempre foi o meu sonho de emprego.
Nimbo CG: Para você, que atua no mercado internacional, mas também atuou no mercado brasileiro, qual o maior diferencial entre esses dois ambientes?

Eu tenho a impressão de que, quando eu estava no Brasil, a animação CG estava bem no começo de uma fase de expansão. Não tenho certeza se a situação atual é a mesma, se o mercado amadureceu. Mas a diferença mais óbvia é a de escala. O que é considerado um estúdio médio por aqui, como a Blur, estaria facilmente entre os maiores do Brasil, portanto é difícil fazer uma comparação direta. Mas vários problemas são os mesmos, como horas de trabalho muito longas. É um mercado muito competitivo, então a busca pela qualidade pode levar a extremos pouco saudáveis, independente do país.

Nimbo CG ( Tobias Fuhr): Como se manter inspirado e em constante evolução?

Cafeína, 8 vezes por dia. Na realidade, eu não bebo mais café, mas ouvi dizer que funciona. Só não me responsabilizo pelos efeitos colaterais, como insônia, exaustão e, provavelmente, morte.

Nimbo CG (Tobias Fuhr): Qual é a sua rotina de estudos e de trabalho?

Eu tenho me dedicado mais a ter uma vida fora do trabalho, e sinto que isso me traz uma perspectiva melhor dentro do trabalho. Como diz o Brad Bird, a Arte evoca a Vida, e você não pode criar boa arte se não tem uma vida. Recarregar as suas baterias é importante para continuar gostando do que você faz e evitar cair numa rotina. Dito isso, eu sempre acho um tempinho aqui e ali pra aprender algo novo, e no trabalho eu sempre estou tentando achar maneiras diferentes de fazer o que eu faço. Quanto mais velho, mais teimoso e averso à mudanças você fica, e isso é algo que eu estou sempre combatendo.

Nimbo CG:  É comum as pessoas darem muito crédito aos softwares usados em uma produção, outros já são da idéia de que tanto faz o software que se usa, desde que saiba o resultado que se quer alcançar. Na sua opinião, qual a importância dos softwares que você costuma usar para chegar aos resultados que deseja?

Você tem que saber bem a ferramenta que é usada no seu trabalho, de modo que a ferramenta em si deixe de ser um obstáculo. Mas não existe software “melhor”, apenas melhor em tarefas específicas. Nos últimos anos eu usei 3DS Max, Softimage, Software proprietário da Pixar (cujo nome oficial está sendo escolhido agora e será revelado nos créditos do Brave) e um pouco de Maya. Os conceitos são os mesmos em todos eles, e eu diria que aprender conceitos gerais de Computação Gráfica é tão importante quanto aprender softwares específicos. Isso sem falar nas habilidades específicas, é claro (animação, modelagem, etc.).

Nimbo CG (Richard Nunes da Silva): Quais artistas mais te inspiraram e/ou inspiram?

Bill Waterson, Chuck Jones, Steven Spielberg, Brad Bird, Hayao Miyazaki. Ciência em geral me inspira muito, como livros do Carl Sagan e, recentemente, um show de rádio fantástico chamado RadioLab. Estórias interessantes e bem contadas também são sempre bem vindas, em qualquer formato.

Nimbo CG: Para finalizar, gostaríamos de saber se tem alguma dica ou consideração final que gostaria de compartilhar conosco.

Não se iluda, animação é difícil pra caramba, o mercado está cada vez mais competitivo e uma carreira nessa área irá provavelmente sugar boa parte da sua vida. Se mesmo depois de ouvir isso você ainda está empolgado, dedique-se muito, mas não vire uma máquina capaz de fazer apenas uma coisa. E divirta-se, porquê se você vai trabalhar em animação e não vai se divertir, seria melhor ir fazer alguma outra coisa menos trabalhosa!

É isso aí pessoal, se tiverem alguma crítica ou sugestão é só mandar para contato@nimbocg.com.br! Agradecemos a todos que colaboraram e esperamos que tenham gostado assim como nós gostamos! Abraços!

Sobre Felipe Irigon Galvao

Mais um estudante de animação. Formado em design visual pela ESPM / RS e um dos fundadores desse site. Acredita que um dia terá sua profissão valorizada e respeitada no mercado, e está trabalhando para isto acontecer !

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